OS FILHOS DA CLANDESTINIDADE

20,75

A Historia da desagregação das famílias comunistas no exílio
A odisseia das crianças enviadas secretamente para o outro lado da Cortina de Ferro. Álvaro Cunhal exilou-se na União Soviética com a companheira, a filha bebé e uma cunhada, para evitar ser recapturado pela PIDE após a monumental fuga colectiva do Forte de Peniche, em Janeiro de 1960. A instalação do secretário-geral na União Soviética no ano seguinte, provocou assim uma ruptura na Historia do PCP, na medida em que abriu portas para o primeiro exílio da direcção comunista e a progressiva constituição de colectivos de exilados em Moscovo, Praga, Bucareste, Paris e Ivanovo. Álvaro Cunhal autorizou ao longo dos anos seguintes a saída para o exterior dos funcionários que estavam em risco de serem presos pela PIDE, companheiras e viúvas, e de dirigentes com capacidades específicas para executar no exílio tarefas de apoio à luta em Portugal. Esta é uma realidade até agora silenciosa. Trata-se de um exílio não reconhecido, transitório e de compromisso, na medida em que, apesar do comunismo ser uma ideia extra-territorial, para o PCP o interior foi sempre o lugar da sua legitimação revolucionária. Apesar de Álvaro Cunhal só ter regressado a Portugal após o 25 de Abril de 1974, sempre defendeu que a revolução tinha de ser feita com o povo e pelo povo e tinha de ser feita no interior e não a partir do exílio. No entanto, ao longo de toda a década de 60, permitiu a formação destas famílias de comunistas exilados, e assistiu depois ao seu desmoronar devido aos refluxos provocados no movimento comunista internacional pela invasão da Checoslováquia e pela ascensão dos grupos maoístas nas membranas da esquerda. A combinação invulgar de circunstâncias resulta numa Historia nova do PCP e revela também uma realidade até agora desconhecida: a desagregação das famílias dos funcionários clandestinos, cujos filhos foram enviados secretamente para a União Soviética. Estes filhos da clandestinidade assumem-se hoje como os danos colaterais da luta dos seus pais. As duas primeiras crianças chegaram a Ivanovo em 1963 e as últimas foram enviadas em 1972. Neste período, o PCP colocou na Internatzionalny Dom, em Ivanovo, mais de uma dezena de filhos de dirigentes clandestinos, que tinham na altura entre os 5 e os 10 anos, e que perderam o contacto com os pais e as famílias durante a sua infância. O seu exílio representa um fenómeno extremo e as suas Historias de vida surgem pela primeira vez integradas na Historia do PCP e do movimento comunista internacional.

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Información adicional

Editorial

Autor

Subtítulo

A Historia da desagregação das famílias comunistas no exílio

Edición

1

Encuadernación

Brochada

Formato

16 x 23,5

ISBN

9789896267476

Páginas

368

Colección

Idioma

Fecha Publicación

01/04/2016

Temática

Info Autor

Adelino Cunha, historiador e professor de História Contemporânea na Universidade Europeia, é autor dos livros A Ascensão ao Poder de Cavaco Silva, 2005; Álvaro Cunhal: Retrato Pessoal e Íntimo, 2010 (incluído no Plano Nacional de Leitura); António Guterres – Os Segredos do Poder, 2013; Os Filhos da Clandestinidade, 2016; e Júlio de Melo Fogaça, 2018. É doutorado em História com a tese O Exílio dos Comunistas Portugueses 1960-1974, tendo sido aprovado com mérito e honra por unanimidade no Programa Interuniversitário de Doutoramento em História (Universidade de Lisboa, Universidade Católica Portuguesa, Universidade de Évora, ICS e ISCTE). É atualmente Pró-Reitor da Universidade Europeia.