O ABRIGO

10,43


O Fantasma olhou a fachada. Mais ninguém via que tinha sido tomada dos bolores, manchada pelo abandono, ali, onde a cidade outrora fora novidade e progresso. A medo, aproximou-se da porta, entreaberta e encostada ao batente, e empurrou-a sentindo-se como um intruso. O hall estava escuro, o interruptor da luz não respondeu e ouviu a porta fechar-se de novo atrás dele por habilidade da mola. O ascensor já não funcionava. E foi afagando o corrimão de madeira, na penumbra, enquanto subia alumiado por uma luz amarela que vinha da claraboia. Não havia vestígios da mínima poeira, como se os quatro lances de escada brilhassem, desde há muito preparados para a cerimónia. Premiu a campainha uma vez, durante dois segundos. E outra, e uma terceira vez. Silêncio, foi só silêncio o que houve no meio da tarde, no seio da sua pessoa, na consumação do fim. Nem risos, nem conversas, nem o tinir de loiças, nem nada. O pano tinha descido. Na clandestinidade da praça tudo soube a um cofre arrombado, ou inexpugnável. Sem testemunhas. Todos tinham ido habitar um outro céu.

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Información adicional

Peso 79.4 g
Editorial

Edición

1

Encuadernación

Rústica con solapas

Formato

15 x 22

ISBN

9789897794711

Páginas

40

Colección

Idioma

Fecha Publicación

10/09/2021

Temática

País Autor:

Portugal